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Atenção, este texto contém spoilers.
His Dark Materials parece ter um duro caminho pela frente para conseguir conquistar público, seja ele composto de leitores da obra de Philip Pullman, sejam eles apenas telespectadores curiosos.
Embora os dois episódios iniciais tenham sido satisfatórios, o episódio The Spies, que foi ao ar nessa última segunda-feira, ficou muito abaixo do esperado e entregou uma hora de praticamente nada. A única revelação mais importante, que a Sra. Coulter é a mãe da Lyra, foi entregue sem qualquer emoção ou senso de surpresa.
O que se observa da série até aqui é que há uma falta de equilíbrio na narrativa e na entrega das revelações, o que faz com que o peso de cada uma caia por terra e nos faça questionar o que mais poderemos descobrir mais a frente. Na expectativa de tentar segurar a audiência com os mundos paralelos, a série acabou entregando antecipadamente a possível viagem entre mundos paralelos sem qualquer expectativa ou possibilidade de surpresa.
Enquanto algumas revelações mais pesadas são entregues sem alma e sem preparação, outras narrativas tomam conta da trama e a tornam cansativa e excessivamente expositiva. Por exemplo, o fator chave de interesse na Sra. Coulter é um dos maiores pesos na revelação desta ser a mãe de Lyra. A personagem é extremamente misteriosa, perigosa e sutil. Temos a ideia de que ela é extremamente controladora, manipuladora e fria, suas ações são todas questionáveis, e por isso mesmo que quando Lyra descobre sobre seu passado conseguimos imprimir algumas explicações sobre seu comportamento ambivalente sobre a menina.
A série sente a necessidade de mostrar a todo momento que se trata de uma mulher em conflito, na busca de poder em uma sociedade patriarcal o que retira a riqueza da personagem, que descansa justamente no mistério de sua personalidade. O enigma sobre a personalidade da Sra. Coulter é um dos maiores mistérios dos livros e acabou sendo deixado de lado.
Encontro com os Gípcios
No episódio anterior vemos Lyra sendo sequestrada por Globbers, já no início deste a vemos sendo resgatada por Tony Costa e seus companheiros e é nesse momento que os roteiristas lembram que a menina conhecia os gípcios desde a Jordan. A série tomou tempo no primeiro episódio trazendo o contexto da vida de Lyra na Jordan, mas falhou fortemente ao ignorar a relação anterior entre Lyra e os Gípcios, fazendo com que o encontro entre eles ficasse aleatório e sem força. Aliás, isso se mostrou um grande problema pois possivelmente afetará a ligação entre eles, que nos livros é importante.
A revelação da mãe de Lyra
Após uma série de incidentes e um encontro com as autoridades do Magisterium, Ma Costa revela para a menina o contexto de seu nascimento, e como já foi dito antes, o momento veio sem o impacto necessário. Seja pela construção do momento, seja pela falta de relação estabelecida entre Lyra e os Gípcios, tudo que se viu ali perdeu impacto. Até porque no episódio anterior vimos a revelação da paternidade de Lyra contada pela Sra. Coulter com um ar bem rancoroso, deixando no ar que ela poderia ser sua mãe.
Cadê o Pan?
Um dos trunfos desse universo descansa justamente na relação entre as pessoas e suas almas em forma de animais, e até o momento a série tem falhado na relação entre Lyra e Pan. Há um excesso de exposição sobre a fixação da forma dos daemons durante a puberdade, mas faltam diálogos realmente íntimos entre os dois. Uma oportunidade perdida.
O Aletiômetro
Finalmente um dos elementos principais de todo o universo resolveu dar as caras e faltou magia. Como o restante do episódio, a descoberta de que Lyra consegue ler o objeto veio sem qualquer peso. Embora tenha sido mencionado que se trata de um objeto simbólico e misterioso extremamente difícil de se interpretar, precisando de anos de estudos e muitos livros, o fato de Lyra ter conseguido ler não veio com qualquer toque especial, e isso fez falta. Aliás, a protagonista não tem recebido a devida importância na série, ela poderia ser os olhos do público nas descobertas, ao invés disso optaram por mostrar todos os núcleos e por isso a história da protagonista parece um pouco perdida.
Vale continuar assistindo?
A história em si ainda é muito rica e há um bom espaço para novos personagens, o melhor ainda está por vir, cabe a série não perder grandes oportunidades de mergulhar nas revelações. Embora tenha sido um episódio fraco, a esperança é que com a adição de novos elementos a série ganhe fôlego.
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