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Watchmen | Análise último episódio


Watchmen traz um final redondo e consegue encerrar a série satisfatoriamente. Este texto contém spoilers do 9º episódio da série.

Sem perder tempo o episódio já se inicia fechando os pontos em aberto sobre a história de Adrian Veidt (Jeremy Irons) e como ela se entrelaça com a jornada de Lady Trieu (Hong Chau), cujo nome é tanto uma referência a amostra 2346, quanto a guerreira vietnamita Triệu Thị Trinh.  Ambos com mania de deus, ambos as pessoas mais inteligentes do mundo. De um lado um homem que matou milhões, do outro uma mulher nascida através de uma inseminação não autorizada, que está disposta a absorver os poderes do Dr. Manhattan para "salvar o mundo".

Conforme fora especulado, toda a história de Veidt em Europa, lua de Júpiter, se passou antes dos eventos atuais e a estátua de Ozymandias na torre com Lady Trieu é na verdade Adrian resgatado, a fim de que se torne testemunha da grandiosidade do plano da filha. Aliás, toda a história passada em Europa até o julgamento foi arquitetado pelo vigilante para que ele não adoecesse mentalmente. Fica aí um ponto interessante para análise mais para a frente.

De volta a terra, a Sétima Kavalaria (Ciclope) mantém Dr. Manhattan preso a fim de absorver seus poderes e, embora Angela (Regina King) tente alertar, o senador Keene (James Wolk) decide utilizar a máquina (mal construída com equipamentos da empresa de Lady Trieu) e vira geleia. Seja por conveniência de roteiro ou não, a poça de sangue do senador Keene serve como um meio para que Dr. Manhattan (Yahya Abdul-Mateen II) envie Ozymandias, Looking Glass (Tim Blake Nelson) e Laurie Blake (Jean Smart) para a Antártida.

Já antecipando que a organização iria prender Manhattan, Trieu mata o restante do grupo e segue com seu plano de absorver as partículas de Cal, matando-o no processo e deixando Angela. No esconderijo Adrien utiliza sua máquina de lulas para teletransportar lulas congeladas a fim de atingir  Trieu antes que ela possa absorver os poderes de Cal, já morto. A chuva de lulas atinge a máquina e a moça, que aparentemente morre no processo.

Por fim Angela, ao fugir da chuva de lulas, encontra Will (Louis Gossett Jr.) e os filhos no mesmo cinema que nos é apresentado no primeiro episódio, fechando o ciclo. Ele sentado no mesmo local onde os ataques em Tulsa ocorreram 100 anos antes e ambos acabam em um momento de reflexão sobre o uso da máscara, raiva e medo. Pontos positivos para o diálogo.

Por fim, Laurie e Wade/Looking Glass, totalmente esquecidos e desperdiçados nos dois últimos episódios, prendem Adrian pela morte das milhões de pessoas no ataque da lula gigante anos atrás. Finalmente Ele terá o reconhecimento pelo que fez, talvez ele não chegue do jeito que deseja, mas já é alguma coisa.

Após os eventos Angela, o avô e os filhos voltam para casa, onde Will diz a ela que Dr. Manhattan poderia ter feito muito mais. Nisso a policial observa a bandeja de ovos e nota que apenas um não estava quebrado, e se lembra da conversa que teve com Cal no bar quando se conheceram. No momento final ela se dirige à piscina, come o ovo e coloca os pés na água.

No geral, o final foi satisfatório, embora alguns pontos mereçam mais atenção. Ao que parece o tema central da série é o legado, seja por parte da Lady Trieu e Adrian Veidt, seja na hipótese de Ângela adquirir os poderes do Dr. Manhattan e fazer algo com eles, ou ainda o olhar que Topher troca com a mãe quando avista o uniforme de Sister Night. A mensagem final é que não se deve permitir alguém que queira se tornar deus fazê-lo, todavia, a policial não parece desejar mudar o mundo, mas deseja protegê-lo. Ela não busca se tornar um deus, mas recebe a responsabilidade dos poderes.

Um ponto positivo é o reconhecimento da necessidade de superar obstáculos, algo intrínseco a natureza humana que foi totalmente negligenciada por Ozymandias. Não se pode deixar de mencionar um episódio de The Twilight Zone, A Nice Place to Visit, que mostra perfeitamente bem que o inferno pode estar na facilidade e na adoração. Ao viver eternamente no paraíso, Adrian estava realmente no inferno já que sua natureza exigia o desafio e não é de se surpreender que ele mesmo tenha criado uma forma de se entreter durantes todos os anos.

Outro ponto é que não é possível alcançar a paz mundial utópica, Ciclope vira a Sétima Kavalaria, outra Lady Trieu pode surgir, enfim, simplesmente não é possível e é isso que Laurie deixa claro para Adrian ao prendê-lo.

No geral tivemos um bom episódio, entretanto esse final pareceu corrido e o desfecho de Angela poderia ter sido melhor trabalhado, aliás, toda a decisão de Dr. Manhattan se tornar humano  poderia ter sido mais trabalhada também. Fica difícil não questionar o relacionamento entre os dois, já que ela era casada com um deus e essa situação nunca vem a tona até o oitavo episódio.

Outro ponto que merece ser destacado é que a série começa a ser narrada a partir de Angela, e nos momentos finais a história se vira para a briga de ego entre Adrian e Lady Trieu, enquanto traz um desfecho para os personagens originais dos quadrinhos. É certo que seria necessário mais um episódio fazendo a transição entre o universo dos policiais e o universo dos vigilantes originais, sendo que aqueles acabaram ficando esquecidos no decorrer da história e Laurie por exemplo foi pouco aproveitada.

Outro ponto que precisava de mais atenção era o plano de Will contra a organização racista e toda a questão da tensão racial. A série se inicia com os ataques em Tulsa e quando finalmente é o grande momento de se lavar a alma, o grupo de supremacistas não só se recusam ouvir a mensagem de Will por inteira como, como logo eles são eliminados sem ninguém tocar na questão novamente.

O saldo foi positivo e ainda há espaço para mais histórias nesse universo, cabe a audiência e a emissora decidirem se vale a pena dar continuidade.

Agora, quem era o cara na roupa prateada que foi para o bueiro? 




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